Falta de profissionais capacitados prejudica setor de TI

Profissional de Tecnologia da InformaçãoDe 2005 à 2008, o mercado nacional de TI registrou aumento de 40% no número de vagas de trabalho, puxado principalmente pela prestação de serviços. Em apenas três anos, no entanto, o número de vagas de tecnologia não preenchidas saltou de 27 mil para 100 mil, causada principalmente da incapacidade do país de formar profissionais qualificados na velocidade exigida pelo mercado.

O principal problema que o Brasil enfrenta é a dificuldade das escolas e universidades em acompanhar o desenvolvimento das tecnologias e as necessidades do mercado. Para que haja mudanças curriculares, de modo a atender às exigências do setor, os projetos precisam obter aprovação do Ministério da Educação e Cultura (MEC), e isso demora muito.

Por causa da demora e da grande burocracia inerente aos processos de mudanças do MEC, as instituições de ensino estão sempre defasadas em relação ao que as empresas necessitam e exigem de seus profissionais. O governo deve reestruturar seu sistema de renovação curricular, já que o vigente ainda é da época em que tecnologia era um problema, e não uma necessidade.

O profissional que o mercado mais sente falta é o da chamada base das empresas, como programadores e analistas de banco de dados. O que acontece com o mercado é que algumas empresas estão se juntando a governos e universidades para criar cursos de especialização de curta duração, portanto que não precisam de aprovação do MEC.

Esse tipo de solução emergencial tem causado uma distorção na pirâmide do mercado profissional de TI no Brasil. O normal seria que houvesse muitas pessoas nos cargos de base, prestando serviços, ao contrário do que ocorre hoje, em que há vários profissionais especializados em determinadas linguagens apenas para atender às necessidades específicas de uma empresa. Enquanto não se adequa a grade curricular das universidades a esse tipo de exigência, a companhia empregadora é que tem de adaptar o funcionário à necessidade. Muitas vêm dedicando esforços para reduzir a lacuna entre o perfil do estudante que sai das universidades e o almejado pelas companhias que têm vagas.

A IBM, por exemplo, tem, em parceria com o Centro Paula Souza, responsável pelas escolas técnicas do governo do estado de São Paulo, um curso de formação pós-técnica para operadores de mainframes e linguagem Cobol, realizado nas Faculdades de Tecnologia (Fatecs), para as quais fornece equipamentos, tecnologia e vagas ao término do curso de seis meses. A Blusoft, ONG de empresas de tecnologia de Blumenau (SC), tem o projeto Entra21, para jovens de 16 a 25 anos com ensino médio completo e renda familiar de até quatro salários mínimos para formá-los de acordo com as necessidades das empresas que participam da organização.

A maior dificuldade para que, de fato, se acabe com a falta de profissionais de TI no Brasil é a distância entre as empresas e as universidades. A iniciativa privada tem dificuldade para suprir as demandas do mercado porque normalmente se interessam apenas em resolver o próprio problema, e isso acabou afastando a formação profissional do mercado. Nunca houve cobrança dos executivos para uma iniciativa dessas. A IBM é pioneira nessa iniciativa.

Profissionais pouco experientes

Outro problema encontrado é a baixa permanência das pessoas em seus empregos. Profissionais recém-formados ficam, em média, apenas um ano e meio em seus empregos e logo vão para outras empresas por causa de oferta um pouco melhor, ou um cargo superior, o que criou uma geração de profissionais muito jovens em altos cargos, mas sem a experiência necessária. Isso, gerou uma insatisfação em relação a esses profissionais, que, por deixarem seus empregos de forma prematura, acabam não proporcionando o retorno do investimento que foi realizado neles pelas empresas – eles não acumularam experiência suficiente para ocupar um cargo sênior, e, ao deixarem a empresa, têm que se “rebaixar” e passar a ocupar um cargo de remuneração menor.

Somente uma ação conjunta dos governos e da iniciativa privada, em que os órgãos públicos reconheçam as reais necessidades das empresas e apóiem suas iniciativas e até invistam nelas, poderá mudar o quadro atual.

O Brasil precisa de um modelo de investimento para o setor e uma estratégia bem estruturada para que o país possa sair da situação em que está. O mercado de TI brasileiro, se continuar caminhando no passo atual, não resistirá e as empresas vão acabar por fugir daqui.

Fonte: TI Inside

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  1. Maxxi
    24/04/2012 às 8:59 PM

    Eu gostaria que essas empresas e essas vagas fossem mostradas de verdade…Como comentado acima, ao fazer uma pesquisa por esse tipo de matéria, vejo que hoje nada mudou. Os profissionais dessa área tem que se virar e pagar seus cursos de especialização porque esses filhos da puta dessas empresas não estão preocupados em qualificar não, eles querem mamão com açucar. Que se danem filhos da puta.

  2. Tony
    05/11/2011 às 2:43 PM

    As empresas não investem em ninguém, ainda mais em profissionais…
    Querem pegar profissionais prontos para já começarem dando lucro…
    No início de minha carreira, fui fazer uma entrevista para uma vaga de treinee com um teste enorme, então resolvi fazer as mais difíceis (que envolviam alocações dinânimcas, listas encadeadas, pilhas, filas, etc) e deixar as mais fáceis para depois.
    Conclusão, fui chamado para iniciar no prazo de uma semana com salário inicial de R$ 500.00 (QUINHENTOS REAIS).. para morar em SP.. Francamente, teria que morar embaixo da ponte… isso foi em 1999/2000. Depois de 3 meses, me tornaria júnior com um salário de R$ 1.200,00 mensais (francamente)…
    Aviso a todos os estudantes de TI.. Façam o que estou fazendo. Abandonem a área pois TI é uma péssima área… façam outro curso como direito por exemplo…
    Não é nem conselho de amigo, é conselho de quem se formou com glórias na faculdade, 1º Aluno, estudioso, por dentro das tecnologias, programava muito já antes de começar a faculdade, TEM MUITA EXPERIENCIA NA AREA, e desde a formação mas sentia na pele a exploração de empresas que pagavam salários de 200/300 reais por mes (quando ainda não era formado) e obtinham como lucro pelo menos umas 15x esse valor.

  3. Fernando Henrique
    03/02/2011 às 2:55 PM

    Concordo plenamente, caro amigo Roger. A maioria das empresas solicitam diversos requisitos absurdos que nem são característicos da vaga só para parecer mais “bonito” e “seleto” para quem está a procura. Isso inibe os candidatos, que muitas vezes tem capacidade de sobra para exercer o posto, mas por conta de exigencias abusivas, nem ao menos tentam por não se considerarem à altura. E isso, sem contar que eles querem pagar para um bacharel em Sistemas de Informação ou Cientista da Computação com conhecimento e experiência vastos míseros R$ 1.100,00. Ou seja… eu me qualifico, estudo, invisto em conhecimento para poder profissionalizar melhor a empresa, e o máximo que ela pode me oferecer são dois salários mínimos? Isso é realmente uma vergonha.

    Obrigado pelo comment e por expor a sua opinião. Forte abraço.

  4. roger
    28/01/2011 às 1:04 PM

    Acho engraçado como essas “figuras de RH falam em como o profissional tem que se qualificar, e blá blá blá. Se qualificar custa caro, e com os salários de fome que essas “empresas” pagam, principalmente na área de TI, como se qualificar? Tirar dinheiro do próprio bolso, para chegar e ganhar 1,500 reais PJ?

    Essas “empresas” são espertas. Pagam matérias por aí, com tabelas mentirosas sobre salários, sobre falta de profissionais qualificados, para criar a ilusão disso.

    Essas “empresas” não investem um tostão nos funcionários, querem que ele chegue sabendo de tudo, “qualificado” e aceitando ganhar uma merreca. É isso que elas querem.

    Se querem profissionais “qualificados” invistam neles.

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