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Tecnologia vira arma para funcionários insatisfeitos

Grande parte das invasões realizadas em sistemas de tecnologia corporativos têm participação de funcionários ou ex-funcionários das empresas. Essa afirmação é reforçada pelo IPDI (Instituto de Peritos em Tecnologias Digitais e Telecomunicações).

Segundo a organização especializada em perícias digitais e apuração de crimes e fraudes virtuais, 80% dos golpes realizados no ambiente corporativo, sejam on-line ou off-line, contam com colaboração interna. Esta tendência, aliada à popularização do uso da tecnologia, facilita o roubo de informações e espionagem industrial, entre outros tipos de crime.

A tecnologia facilita muito essas atividades. Um funcionário pode copiar o equivalente a uma sala de documentos em um pen drive e sair da empresa com o acessório no bolso.

Uma pessoa insatisfeita com a empresa também pode acrescentar uma cópia oculta, destinada ao concorrente, toda vez que enviar uma proposta comercial para os clientes da organização.

Recentemente, o IPDI descobriu que o fax de uma empresa estava grampeado e, por isso, seu principal concorrente ganhava a maioria dos processos de licitação. A diferença dos preços propostos era sempre pequena, o que gerou a desconfiança da organização sabotada.

Quadrilha

Nem sempre ações indevidas praticadas dentro das empresas têm como objetivo prejudicar a instituição. Ainda assim, isso pode facilmente acontecer. O IPDI iniciou a investigação de um caso motivado pela lentidão da rede de uma grande corporação. Descobriu então que quatro funcionários utilizavam os servidores corporativos para lucrar com a venda de conteúdo pedófilo.

Eles criaram uma empresa dentro da organização, utilizando a infra-estrutura já existente. Os criminosos foram demitidos por justa causa e denunciados às autoridades responsáveis por este tipo de ação. Sem saber, a organização estava exposta. Ela poderia ter muitos problemas se fosse pega pela Polícia Federal, que realiza um trabalho forte no rastreamento de pedófilos.

Em outro caso, uma corporação pediu a identificação do responsável pelo envio de e-mails que difamavam um alto executivo. A vítima estaria chateada com as mensagens e falou sobre o problema com seus diretores. Descobriu-se então que a máquina utilizada para o envio dos e-mails ficava em um cybercafé. Ao analisar as fitas com imagens do local, os especialistas identificaram o responsável: a própria vítima.

Ele criou um cenário irreal em sua cabeça, no qual poderia ser promovido, caso conseguisse sensibilizar seus superiores. O responsável pela ação já apresentava alguns distúrbios psicológicos antes deste caso.

Fonte: Folha Online

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